Foto: Kássia Machado / Rádio Santa Cruz

A Rádio Santa Cruz vem realizando uma série de entrevistas com os vereadores de Santa Cruz do Sul. O espaço é destinado aos legisladores, para que avaliem o ano de atuação junto à Câmara. As entrevistas ocorrem no programa Conexão Regional, com Josemar Santos, sempre às 9h15, na frequência AM 550 e nas redes sociais.

A sexta entrevistada da série foi a vereadora Nicole Weber (PTB), que falou sobre a Operação Controle, além das demandas que recebe da comunidade santa-cruzense. Sobre a primeira questão, a presidente da Comissão de Ética da Câmara salientou que a atividade está em fase de verificação dos documentos os quais tiveram acesso acerca das investigações. “Nós analisamos 8 mil páginas, que nos foram disponibilizadas, relativas à conduta do nosso colega vereador [Henrique Hermany], as quais a gente precisa fazer um relatório julgando ser necessário a cassação dele ou não. Das páginas nos enviadas, eu já li 2 mil e fiz meus apontamentos”, relata.

O grupo da Comissão de Ética é composto pela presidente Nicole Weber (PTB), tendo como relator Leonel Garibaldi (Novo) e como secretário Francisco Carlos Smidt (PSDB). Eles têm até o dia 2 de janeiro para fazer a leitura das páginas sobre a Operação Controle. Nessa terça-feira, 6, o grupo realizou o primeiro encontro para debater o assunto. “Eu acredito que seja lido tudo nessas próximas três semanas”, avalia. A vereadora destacou que, a partir do relatório, caso haja uma solicitação para um procedimento de cassação do vereador, não haverá recesso na Câmara de Vereadores, pois o recurso precisa ser cumprido em 90 dias.

Nicole explica que não é possível revelar o conteúdo das páginas liberadas pelo Ministério Público (MP). “Hoje nós só falamos com o jurídico da casa e com a presidente do Legislativo Bruna Molz, pois tudo foi nos passado sob total sigilo. Inclusive, na segunda-feira, eu refiz o meu juramento de ética como advogada, para entender que vamos olhar com imparcialidade o processo. Por mais que eu tenha divergências com o colega [Henrique Hermany], é sobre uma vida que estamos falando. Se a pessoa for inocente, ela precisa ser inocentada, isso está no meu juramento e na minha índole”, salienta.

A representante do PTB conta que foi realizada uma reunião com o jurídico e com a presidente da Câmara de Vereadores, Bruna Molz, na qual foram repassadas algumas orientações. Nessa quarta-feira, foi marcado um encontro com os promotores responsáveis pelas investigações da Operação Controle, Érico Barin, João Beltrame e Flávio Passos. “Eles nos disseram que algumas informações, principalmente evidências e provas muito claras, não podem ser comentadas”, relata. A vereadora ainda pediu para que a população não pergunte a ela sobre as minúcias das investigações, pois não tem como informar.

Nicole avalia que ela e o vereador Leonel Garibaldi (Novo) vêm fazendo uma “limpeza” na imagem da Câmara de Vereadores. “Eu e o Leonel temos opiniões muito parecidas. O Legislativo de Santa Cruz vem de um mandato de cassações, prisão e polêmicas. Foi renovado 60% da Câmara, o que deu um indicativo de que a população queria renovação e limpeza”, pontua.

A vereadora também evidencia o anseio da população em ver nela uma resposta para as investigações. “De certa forma é uma pressão, antes eu era conhecida por mulheres, crianças e famílias, e este tema criou uma grande proporção nas redes sociais. No entanto, eu não tenho problema em conversar com a população em qualquer lugar que eu esteja. Sempre ando com um bloquinho para anotar as demandas daqueles que me param na rua, mercado, cafés, dentre outros lugares”. Ela ainda revela que precisou contratar dois seguranças para acompanhá-la. Há mais de duas semanas, Nicole fez uma denúncia na tribuna da Câmara de Vereadores, alegando perseguições e rondas próximo ao prédio em que reside.

Em um balanço de seu mandato, a vereadora classificou como positivo. Ela lembrou de seu primeiro ano, quando não assinava os regimes de urgência e atuava como fiscalizadora. No segundo, efetuou diversas denúncias, a exemplo do diretor da Saúde que cometia assédios contra seus servidores. Em 2023, destacou a instalação da Vara de Violência Contra a Mulher, reivindicação da mudança de pagamento do IPTU e denúncia da falta de Plano de Prevenção e Proteção de Combate a Incêndio (PPCI) nas escolas municipais.

Sobre o futuro político da legisladora em 2024, ano de eleição, Nicole disse emocionada que ainda não pensou sobre o assunto. “Existe uma coisa bastante prazerosa, para quem está nessa área, que é o povo te pedir, isso é muito bonito. Hoje, não existe uma pessoa que passe na rua por mim e não me peça para eu ser a prefeita de Santa Cruz do Sul. Eu fico comovida, porque isso é uma medição do nosso trabalho. Um dia eu quero ser sim a Administradora do Executivo, mas não quer dizer que será agora”, completa.

Assim como o vereador Rodrigo Rabuske (PTB), ela também frisa a necessidade de mudança de partido, que deixou de existir. No entanto, não sinaliza sua escolha e diz ainda estar avaliando três propostas, tendo avanços com uma das siglas. Nicole também destacou a sua vida pessoal e sua saúde como pilares para essa decisão. “Mas uma coisa eu posso garantir para a comunidade, até o fim deste mandato, vocês terão a melhor vereadora possível de gabinete que a Nicole pode ser. Quando eu me comprometo com alguma coisa, eu me comprometo de verdade”, afirma.

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