Foto: André e sua esposa Rosane. Crédito: Divulgação

Neste sábado, 28 de outubro, é celebrado o Dia do Produtor de Tabaco. A data foi definida em assembleia da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (Itga), em outubro de 2012, e começou a ser comemorada no Brasil em 2013.

Presente em 490 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, na safra 2020/2021, o tabaco foi cultivado em 254 mil hectares, por 138 mil produtores integrados.  Aproximadamente 500 mil pessoas participam desse ciclo produtivo no meio rural, somando uma receita anual bruta de R$ 6,6 bilhões, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). O Brasil é o segundo País que mais produz tabaco.

No Rio Grande do Sul, são 192 municípios produtores e 65 mil produtores desse cultivo. Santa Cruz do Sul aparece em 13º na lista de maiores municípios produtores, segundo dados da Afubra 2022/23. A cidade tem mais de dois mil produtores, com 10 mil toneladas de tabaco. Conforme o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), o produtor de  fumo ganha 140% a mais do que a média do trabalhador brasileiro, sendo que, por isso, muitos jovens veem no campo a possibilidade de permanência na sucessão rural.

Em meio a esse cenário, o setor do tabaco vive uma apreensão devido à proximidade de mais uma edição da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 10). O evento ocorre de 20 a 25 de novembro, no Panamá, e historicamente debate assuntos restritivos à produção de fumo e ao consumo de cigarro. Devido a isso, neste ano, está ocorrendo uma mobilização em âmbito nacional, no sentido de tentar mobilizar as autoridades do país, a fim de que consigam participar, ter voz e ilustar a importância que a produção tem para o Brasil, especialmente para a região Sul.

“Às vésperas de mais uma Conferência das Partes (COP10) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), seguimos atentos a questões que possam trazer prejuízos para o setor no Brasil. Deixa-nos apreensivos a falta de transparência e de representatividade para o contraponto sobre questões que refletem na vida de milhares de brasileiros”, enfatiza o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke.

A produção do tabaco como fonte de renda e relevância social

Distante cerca de 50 km do centro de Santa Cruz do Sul, em uma propriedade rural de Linha Fermiano, no distrito de Alto Paredão, vivem dois casais que cultivam o tabaco. André Meier, 45, e Rosane Meier, 48, estão há mais de 26 anos trabalhando na fumicultura. Eles contam com a ajuda da filha Luiza Meier Schulz, 20, e do genro Juliano Schulz, 23, que fizeram da agricultura sua escolha de vida, trabalhando lado a lado em suas propriedades e produzindo tabaco.

Foto: Produção de André e família. Crédito: Divulgação

De acordo com Meier, que trabalha ao lado da esposa Rosane, o cultivo vem rendendo bons frutos na hora da comercialização. Na propriedade, plantam cerca de 55 mil pés de fumo, e atuam com mão de obra própria nos processos de plantio, colheita, secagem e finalização do produto. Embora a principal cultura seja o tabaco, a família também planta milho e hortaliças, além de criar porcos, galinhas e gado.

Foto: Juliano e Luiza. Crédito: Divulgação

Já para Juliano e Luiza, que há cerca de três anos cultivam na propriedade ao lado, o tabaco é uma das principais fontes de renda para as pequenas áreas de terra no interior, e por isso na safra deste ano decidiram aumentar sua produção para 65 mil pés de fumo. Segundo o casal, um dos principais desafios no trabalho vem sendo o clima nessa safra, pois com as chuvas frequentes, os prejuízos são enormes na lavoura, além do alto preço dos insumos para produção, que sofre alteração com frequência. Para o futuro, os dois pretendem continuar na lavoura, planejando investimentos que vão facilitar o trabalho. Entre os planos, está a aquisição de mais implementos agrícolas, além melhorias para facilitar o dia a dia no campo e possibilitar o aumento da produção.

Uma curiosidade sobre a região de Alto Paredão é o plantio da muda ocorrer mais tarde em relação a outros regiões. Isso se dá devido a altitude da região, onde a planta corre mais risco de sofrer com a geada, se plantada antes dos meses de agosto e setembro.

Foto: Clóvis e sua esposa Neusa. Crédito: Divulgação

Já em Linha João Alves vive Clóvis Bartz com sua família. Ele conta que trabalhou com hortifrutigranjeiros por 12 anos, mas a partir de 2007 começou no plantio de fumo e também de milho. Hoje também cria gado, porco e galinha. Com sua esposa Neusa Maria Bartz, iniciou a produção com 30 mil pés de fumo. Ao longo dos anos, conseguiu aumentar o plantio de fumo e a área de milho e adquiriu trator e equipamentos para incrementar a renda. “A gente foi conquistando as coisas, claro não foi fácil, mas com muito trabalho mesmo, graças a Deus, sempre deu certo”, ressalta Bartz.

Atualmente, possui 32 cabeças de gado, 10 hectares de milho e 60 mil pés de fumo. O agricultor disse que o tabaco é o seu carro-chefe. Ele conta com a ajuda do filho, que após completar 18 anos e se formar na Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc), trabalha junto com a família, formada por três pessoas. “A ideia é manter o ritmo, é correria, mas se dá certo, compensa”, conta.

Tendo na pequena propriedade o tabaco como melhor investimento e o que dá mais retorno, Bart sempre faz cursos para se aprimorar, entendendo ser necessário estar sempre se atualizando com novas técnicas e os novos manejos, sendo isso um caminho para o sucesso na produção de tabaco. “Tenho orgulho de estar fazendo o que faço”, enfatiza o produtor.

 Por: Lauren Fernandes / Contribuiu: Tatiana Schulz

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