Era 4 de outubro de 2009, e os jornais de todo o mundo repercutiam o falecimento da cantora argentina Mercedes Sosa (1935-2009), na capital Buenos Aires, aos 74 anos de idade. A quase 14 mil km de distância, sua voz potente ressoava na TV dinamarquesa, em meio ao noticiário local. A canção era Gracias a La Vida, composta pela chilena Violeta Parra.

A homenagem logo foi interrompida, mas aqueles breves instantes mudariam para sempre a vida de ao menos uma espectadora, que ouvia Mercedes Sosa pela primeira vez.

Impactada, Anette Christensen decidiu mergulhar na trajetória da artista que acabara de falecer. Nesse percurso, se apaixonou pela América Latina, encarou traumas de infância e transtornos psicológicos, e passou a reescrever seu próprio passado. Ao final de oito anos, transformou essa jornada em livro.

Lançado nesta quarta-feira (24), Mercedes Sosa – A Voz da Esperança [Tribute2Life Publishing, 2021] é a primeira biografia de “La Negra” com tradução para o português.

O formato e a linguagem diferem dos livros clássicos do gênero. Christensen divide o texto em dois blocos. O primeiro é a biografia, propriamente dita; o segundo, um relato de sua transformação pessoal a partir do “encontro” com a biografada.

“Escrevi o livro na mesma ordem em que minhas descobertas aconteceram, e acredito que é necessário saber quem foi Mercedes Sosa para entender por que ela causou um impacto tão grande”, conta a autora dinamarquesa.

Mais que contar uma história, Christensen se propõe a descrever o efeito terapêutico que Mercedes Sosa produz na mente de quem a acompanha e a ouve. Por meio da neurociência e, particularmente, da neurobiologia interpessoal, ela ressalta o poder transformador da música e das relações afetivas.

A voz dos “sem voz”

Mercedes Sosa nasceu em julho de 1935 e é uma das cantoras mais conhecidas e influentes da América Latina.

Filiada ao Partido Comunista nos anos 1960 e perseguida pela ditadura militar, ela foi presa e exilada no final da década seguinte. Em um contexto de censura e violência, sua música tornou-se a voz dos oprimidos e dos que resistiam ao autoritarismo no continente.

Além de sua carreira e militância política, o livro aborda momentos importantes da vida de Mercedes Sosa, como os dias de exílio na Europa e a decisão de interromper uma gravidez.

O apelido, “La Negra”, é uma referência a sua ascendência indígena. Sua morte, em 2009, foi causada por um problema renal, que desencadeou complicações no fígado e nos pulmões.

O contexto político mudou, mas a vida e a obra de Mercedes Sosa são mais relevantes do que nunca, defende a biógrafa.

Foto: Divulgação

 

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