Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai adotar a inteligência artificial para detectar fraudes em atestados médicos. O novo sistema, previsto para entrar em vigor ainda neste mês, fará cruzamentos em bancos de dados para mapear irregularidades – com uso até de análise comportamental.

A nova tecnologia tem o objetivo de aprimorar o Atestmed, programa lançado há dois meses que incentiva a troca de perícia médica presencial por análise documental em casos de benefícios de curta duração, como incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença).

Hoje, o monitoramento dos atestados é feito por amostragem. Com a inteligência artificial, 100% dos atestados serão analisados segundo diversos critérios. Além da identificação dos médicos com os respectivos hospitais em que trabalham, a ferramenta poderá, por exemplo, comparar as letras de documentos emitidos por um mesmo profissional para verificar se há indícios de irregularidades.

“Vamos juntar num banco de dados todos os atestados. Hoje, o perito vê o atestado individualmente, isolado, não vê sistema nenhum. Nós já fizemos algumas reuniões tanto com a Dataprev quanto com empresas privadas que vão fazer provas de conceito de inteligência artificial nesse banco de dados”, disse ao Estadão o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

Ele afirma que o sistema será capaz de detectar comportamentos suspeitos – como, por exemplo, 50 atestados de um mesmo IP (protocolo de rede). Quando identificar esse padrão de disparo em massa, a ferramenta irá, além de checar se o registro do médico bate com o hospital descrito, analisar a letra do profissional para verificar se é correspondente.

Stefanutto afirmou que, recentemente, na análise “manual” dos atestados que vem sendo feita, foi identificado o caso de uma médica em São Paulo com quatro padrões de letra diferentes – ou seja, cada um dos quatro atestados tinha uma letra divergente da outra. Além disso, a profissional nem sequer trabalhava no hospital que constava no carimbo do documento. O caso foi encaminhado para a Polícia Federal e está sendo investigado.

“Quanto mais provas de conceito eu fizer, mais comportamentos erráticos eu pego; e eu internalizo essa regra para a minha inteligência artificial”, diz o presidente do INSS.

O Sul

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