O escritor de língua espanhola Mario Vargas Llosa, 85 anos, tem todos os números para se tornar membro da Academia Francesa, a confraria exclusiva fundada pelo cardeal Richelieu em 1634 que se encarrega da defesa e preservação da língua de Molière e Victor Hugo. Na reunião de 7 de outubro, os acadêmicos aceitaram a candidatura do autor de A cidade e os cachorros, bem como a de outros candidatos sem o nome nem o mérito do Prêmio Nobel hispano-peruano.

No debate, acadêmicos franceses abordaram as duas armadilhas que poderiam ter impedido a candidatura de Vargas Llosa. A primeira era a sua idade. De acordo com o regulamento, maiores de 75 anos não podem entrar na academia, e Vargas Llosa tem 85. O segundo obstáculo era o fato de ser um autor que, apesar de francófilo e da influência da França e de seus escritores em sua obra, escreve em espanhol e não em francês. Se eleito, será uma novidade em uma instituição muitas vezes acusada de chauvinista e fossilizada.

Vargas Llosa, colaborador do EL PAÍS, morou em Paris entre o final da década de 1950 e o início da década de 1960, e nessa cidade —sob a influência de Jean-Paul Sartre e Gustave Flaubert— se consolidou como romancista. A orgia perpétua, seu ensaio sobre Madame Bovary, de Flaubert, é o ápice da crítica literária e a arte do romance.

O autor de A festa do bode e Milan Kundera são os únicos escritores vivos publicados na coleção de clássicos La Pléiade, de sua fiel editora francesa, a Gallimard, e Vargas Llosa é o único com uma obra em língua não francesa (boa parte da obra de Kundera é escrita em francês).

 

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