Foto: Luiz Fernando Bertuol

Teve início, na manhã desta quarta-feira, 24, a Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Santa Cruz do Sul. O evento, que aborda a temática “Enfrentamento ao racismo e às outras formas correlatas de discriminação étnico-racial e de intolerância religiosa: política de Estado e responsabilidade de todos nós”, transcorre até quinta-feira, 25, no auditório Central da Unisc.

Trata-se da primeira edição organizada pelo Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir). Outras duas – nos anos de 2005 e 2013 – foram realizadas pela Prefeitura, em parceria com outras entidades.

O ato de abertura da programação contou com a presença de representantes do governo municipal e de entidades religiosas. Em sua saudação ao público, a prefeita de Santa Cruz do Sul, Helena Hermany, enalteceu a qualidade e a representatividade da plateia. A gestora municipal lembrou da empatia e bom relacionamento que construiu e mantém com a comunidade negra. Durante seu mandato como vereadora, Helena propôs uma lei para que empresas que recebessem auxílio financeiro municipal tivessem vagas para afrodescendentes. A prefeita destacou a implementação da política de cotas raciais para ingresso no serviço público municipal. “Assim como as mulheres precisam ocupar os seus espaços, a comunidade negra também precisa fazer o mesmo”, declarou. Helena ainda enfatizou o papel da educação na construção de uma sociedade mais tolerante e fraterna e reiterou seu compromisso com essa causa. “Vocês terão o meu apoio. Tenho uma obrigação com este povo que eu adoro muito”, concluiu.

Também presente ao ato, o secretário de Educação, João Miguel Wenzel, reforçou a importância da escola na promoção dos conceitos de igualdade racial e tolerância religiosa. “É fundamental que se trabalhe cada vez mais estes temas na sala de aula”, defendeu.

A presidente do Compir, Vera Lúcia da Silveira, salientou a necessidade de a sociedade abraçar seriamente as discussões em torno dos temas da igualdade racial e da tolerância religiosa. “A conferência, por si só, é de todos, por todos e para todos”, definiu. Conforme a ativista, cabe a cada indivíduo perguntar-se como pode contribuir neste debate. “De quem é o compromisso de iniciar a mudança? A resposta é de cada um de nós”, comentou.

Participação ecumênica
Lideranças religiosas também se manifestaram durante a abertura do evento. O bispo emérito da Diocese de Bagé, Dom Gílio Felício, considera que a conferência vem ao encontro dos anseios da comunidade em busca de uma vida mais fraterna. “As diferenças culturais, étnicas e culturais não devem ser combustível para conflitos, mas vistas como uma grande riqueza da humanidade”, avaliou. A pastora Anelise Lengler Abentroth, da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Santa Cruz do Sul, enfatizou como durante um período da história, as religiões cristãs discriminaram o negro e suas práticas religiosas. “Esta conferência é um passo que precisamos dar para mudanças pessoais e estruturais que precisam ser feitas”, concluiu. Juntamente com o babalorixá Antônio Rogério de Souza, do Templo de Umbanda Pai Ogum Beira Mar e Mãe Oxum, Dom Gílio e pastora Anelise realizaram orações em uma benção inter-religiosa ao evento.

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