Um consórcio de duas empresas está a poucos passos de abrir a maior mina de urânio e fosfato do Brasil. Os relatos, no entanto, indicam que grande parte das comunidades próximas a ela é contrária à abertura da mina. O projeto prevê uma instalação nuclear, um complexo mineroindustrial e uma pilha de fosfogesso e cal onde serão depositados os rejeitos do processo.

A jazida Itataia, localizada no município de Santa Quitéria, na caatinga cearense, é cobiçada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e pela empresa privada Fosnor – Fosfatados do Norte-Nordeste S.A, detentora da marca Galvani Fertilizantes.

Um consórcio de duas empresas está a poucos passos de abrir a maior mina de urânio e fosfato do Brasil. Os relatos, no entanto, indicam que grande parte das comunidades próximas a ela é contrária à abertura da mina. O projeto prevê uma instalação nuclear, um complexo mineroindustrial e uma pilha de fosfogesso e cal onde serão depositados os rejeitos do processo.

A jazida Itataia, localizada no município de Santa Quitéria, na caatinga cearense, é cobiçada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e pela empresa privada Fosnor – Fosfatados do Norte-Nordeste S.A, detentora da marca Galvani Fertilizantes.

Ao seu redor, há três bacias hidrográficas e vivem 156 povoados, em sua maioria de agricultores que tiram da terra o sustento. Entre eles, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e assentamentos da reforma agrária.

Moradores da região relatam que há quem veja com bons olhos as promessas de empregos e “desenvolvimento” feitas por representantes das empresas. De acordo com o chamado Consórcio Santa Quitéria, serão gerados 538 empregos diretos na fase de operação do complexo.

No comando do Ibama, Eduardo Fortunato Bim foi indicado pelo então ministro do Ambiente Ricardo Salles. Durante as eleições de 2018, Bim assinou um manifesto em defesa de Jair Bolsonaro.

Em 2021, o presidente do Ibama ficou três meses afastado do cargo por determinação do STF, por ser um dos alvos do inquérito da Polícia Federal que investiga favorecimento do órgão em um suposto esquema ilegal de exportação de madeira.

“Eu tenho medo, sinceramente, que seja um jogo de cartas marcadas”, afirma o professor de história e agricultor familiar Luís Paulo Santos Sousa, a respeito da probabilidade do licenciamento ambiental ser expedido.

Paulo é morador de Morrinhos, comunidade de 54 famílias que está a 2 km da jazida. Ele vive em um dos 34 assentamentos rurais de reforma agrária que estão próximos à Fazenda Itataia.

No entorno da jazida de Itataia, a maioria das comunidades não tem acesso à água encanada e se abastece por meio de caminhões pipa e cisternas.

De acordo com o Relatório de Impacto Ambiental das empresas, a mineração vai usar 855 m³ de água por hora. A solução apresentada por elas e assinada em um memorando com o Governo do Estado do Ceará é que o poder público construa uma adutora que saia do reservatório Edson Queiroz e, percorrendo 64 km, abasteça o Projeto Santa Quitéria.

Ainda segundo o relatório, serão puxados do açude 1.036 m³ de água por hora, com o objetivo de abastecer, além da mineração, o distrito de Riacho das Pedras e os assentamentos Morrinhos e Queimadas.

 

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