A presença de Fernanda Montenegro é tão monumental, que ninguém quis concorrer com ela a uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL). A atriz oficializou a candidatura em 6 de agosto. Aos 92 anos, completados neste sábado (16/10), ela concorre à cadeira 17, vazia desde a morte de Affonso Arinos de Mello Franco, em 2020.

No total, há mais três cadeiras vagas na instituição: a 12, de Alfredo Bosi; a 20, de Murilo Melo Filho; e a 39, de Marco Maciel. O resultado da eleição será divulgado apenas em 4 de novembro, mas Fernanda é praticamente uma unanimidade. No meio cultural, houve comemoração da notícia. Em tempos de cultura demonizada, a presença da dama do teatro brasileiro na ABL é vista como um sopro de esperança.

Quando Hélio Jaguaribe morreu, em 2018, Ignácio de Loyola Brandão, autor de Não verás país nenhum, se candidatou à vaga na cadeira 11. Ele não sabia que Fernanda Montenegro havia se candidato à mesma vaga. Ouviu dos amigos que seria uma disputa quase impossível e, em reverência, decidiu retirar a própria candidatura. “Quando estava para retirar a candidatura, me informaram que ela tinha retirado a dela”, conta o escritor, amigo da atriz há quase 60 anos.

Segundo ele, Fernanda alegou dois motivos: estava escrevendo o livro de memórias Prólogo, ato, epílogo, publicado em 2019, e iria completar 90 anos. “Fernanda me mandou um recado: ‘vá em frente, depois nos encontramos’. Era uma mensagem alegre, cordial, otimista. Ela seria eleita, sem dúvida, mas eu era incerteza. Deu no que deu, fui eleito por unanimidade. Agora, espero a chegada dela”, avisa Loyola.

Mil e um personagens

Para Ignácio de Loyola Brandão, é a ABL quem vai se engrandecer ao receber a atriz. Ele conta que nunca a viu em um papel ruim e gosta especialmente da cena clássica na qual cata feijão com Gianfrancesco Guarnieri em Eles não usam black tie, de Leon Hirszman.

Fernanda Montenegro nasceu Arlette Pinheiro Monteiro, neta de imigrantes italianos e portugueses, que estudou para ser secretária, mas “escorregou” para o teatro aos 15 anos, ao ganhar um concurso da rádio do Ministério da Educação. Começou nas radionovelas e passou rapidamente aos palcos, nos quais deu vida a praticamente todos os grandes clássicos da dramaturgia.

Foto: Divulgação

 

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