A médica ginecologista e presidente da Associação de Prevenção do Câncer de Colo Uterino (APCOLU) fez uso da Tribuna Popular durante a sessão ordinária desta segunda-feira, dia 4, para apresentar as ações da entidade em prol da difusão da prevenção da doença.

A Associação de Prevenção do Câncer de Colo do Útero é uma instituição sem fins lucrativos que tem como propósito levar informações qualificadas à comunidade, que permitirá que, no futuro, possamos diminuir os índices dessa doença.

Em termos nacionais, no Brasil, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) se engajou na responsabilidade de contribuir para atingir as metas previstas até 2030. A adoção da “Estratégia Global para Acelerar a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, como um Problema de Saúde Pública”, da OMS, é baseado em três pilares. A garantia de que 90% das meninas recebam a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) até os 15 anos de idade; 70% das mulheres realizem um exame de rastreamento com teste efetivo até os 35 e outro até os 45 anos de idade; e 90% das mulheres identificadas com lesões precursoras ou câncer invasivo recebam tratamento.

Segundo a médica Denise Müller, o câncer de colo no útero, atualmente, ocupa o terceiro lugar em número de casos de cânceres em mulheres. É a quarta causa de morte por câncer em mulheres. A cada uma hora, morre uma mulher por câncer de colo do útero no Brasil. “Estima-se que cerca de 80% da população mundial terá, ou já teve, contato com o vírus em algum momento da vida”, cita.

Trata-se de um problema de saúde pública, pois as altas taxas de prevalência e mortalidade ocorrem atingem mulheres de extratos sociais e econômicos mais baixos. “Cerca de 50% dos óbitos ocorrem sem tratamento. Além da dificuldade de acesso à rede de serviços de saúde, enfrenta obstáculos culturais, como desinformação e preconceito. Custos assistenciais extremamente elevados”, justifica Denise.

VACINA

A médica explica que existe no mercado desde 2008 uma vacina segura e sem registro de qualquer reação grave relacionada à sua aplicação. Mais de 300 milhões de doses já foram aplicadas no mundo e está disponível na rede básica de saúde (SUS) desde 2014, ao custo médio de R$800/dose na rede privada. Nas crianças de entre 9 e 14 anos são aplicadas duas doses e, para acima de 15 anos, são três doses, mas não mais disponíveis pelo SUS.

As famílias precisam se conscientizar da importância de vacinar crianças e adolescentes entre os 9 e 14 anos, enquanto o imunizante está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). “São cinco anos para vacinar. As famílias precisam lembrar dessa proteção enquanto ela é gratuita. Quando escolhemos ter filhos, assumimos um compromisso de protegêlos”, afirma.

No entanto, Denise acredita que ainda existe preconceito em torno da prevenção. “Muitas famílias relacionam a vacinação contra o HPV ao momento de falar com seus filhos sobre sexualidade. Quando a criança tem 9 anos, precisamos falar em prevenção de câncer. Esse tema não tem idade. Quanto mais cedo se toma, mais proteção a criança e o adolescente desenvolvem”, cita.

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