Foto: Luiz Fernando Bertuol

Cada vez mais mulheres estão levantando a voz e dando um basta à violência. Para dar mais visibilidade a uma realidade cruel, porém ainda muito presente na sociedade atual, aconteceu na tarde esta quarta-feira dia 24, na Câmara de Vereadores, o 18º Seminário Municipal de Combate à Violência contra a Mulher. A cerimônia de abertura contou com a presença de diversas autoridades e o evento teve como convidada especial a diretora de Políticas para as Mulheres do Estado do Rio Grande do Sul, Bianca Feijó.

Ao abrir os trabalhos, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Iara Bonfanti, fez um breve relato do histórico da luta das mulheres em Santa Cruz do Sul por mais representatividade. Ela lembrou do período de criação do conselho, das dificuldades enfrentadas por diferentes visões dos gestores públicos e da constituição da rede de atendimento, que hoje pode ser considerada uma das mais bem estruturadas do Estado.

Defendeu ainda a ampliação da Casa Abrigo, para que a estrutura se torne regional e possa acolher mulheres de outros municípios também a criação de uma coordenadoria da Mulher, viabilizando ao município acessar verbas para programas em prol das vítimas de violência.
Em seu pronunciamento, a diretora de Desenvolvimento Social da Sehase, Priscila Froemming, afirmou que a rede de atendimento a mulher de Santa cruz do Sul é um exemplo para o Estado e para o Brasil e que, embora os números repassados pelos órgãos de segurança não evidenciem um aumento da violência, a rede está cada vez mais atuante. “Estamos trabalhando muito a questão da prevenção, do trabalho e do emprego, para que essas mulheres se tornem independentes e assim se quebre o ciclo da violência”. Priscila revelou que a média de acolhimento na Casa de Passagem, que em outros anos ficava entre 8 e 9, em 2021 já está em 25. “Não é que aumentou a violência, esse número reflete o trabalho que estamos fazendo para que essas mulheres busquem auxílio e não permaneçam sofrendo”.

Para o promotor de Justiça Criminal Eduardo Ritt, a violência contra a mulher é uma questão social e não de gênero. “Ela não para na mulher, não é algo meramente feminista como muitos querem reduzir. A violência atinge a família inteira, inclusive os filhos que amanhã também irão reproduzir este comportamento machista. Precisamos conversar sobre isso e lutar contra os preconceitos que a gente carrega internamente”.

Já a juíza da 1ª Vara Cível de Santa Cruz do Sul e coordenadora do Cejusc, Josiane Caleffi Estivalet, a luta é antes de tudo coletiva. Para ela é necessário que os valores individuais e egoísticos sejam substituídos por valores associados ao feminino, como cuidado, ética e empatia. “Não é mais concebível que alguém acredite que o combate à violência contra a mulher não seja uma prioridade. É e é pra ontem. Precisamos investir muito, sob pena de continuarmos vivendo neste patriarcado”.

Imprensa dá visibilidade às políticas públicas

Convidada a explanar durante o evento, a diretora de Políticas para as Mulheres do Estado do Rio Grande do Sul, Bianca Feijó, falou sobre o trabalho realizado no governo do Estado e sobre as políticas públicas que podem ser acessadas pelos municípios. Ela disse que Santa Cruz do Sul é uma referência no Estado por possuir uma rede de atendimento bem estruturada. “Em todos os municípios que percorri não encontrei nada parecido ao que vocês tem aqui”, ressaltou.

Bianca afirmou que a violência doméstica aumentou muito no Estado durante a pandemia, porém os números de feminicídio tiveram uma redução. Segundo ela, o aumento é também sinal de que os municípios estão fazendo um bom trabalho, registrando e repassando as informações. “A imprensa deu luz para as políticas públicas voltadas às mulheres. Hoje se fala muito mais sobre violência doméstica e quanto mais informarmos a sociedade mais estaremos salvando vidas”, frisou.

A diretora destacou também a questão cultural, ainda muito forte na sociedade. Para ela, a naturalização da violência é algo que perpassa gerações e que precisa ser combatida. “Durante muito tempo era normal um homem agredir uma mulher. Ele agride porque o pai agredia, porque o avô agredia. Então a gente foi carregando esse peso, essa herança, e hoje estamos desconstruindo tudo isso. E essa desconstrução nos dá a sensação de que tá aumentando a violência, mas não é isso, o que acontece é que as mulheres estão saindo do casulo e denunciando mais”, explicou.

Bianca Feijó é embaixadora no Rio Grande do Sul do movimento suprapartidário por mais mulheres na política, o Vamos Juntas. Ela também é líder do Comitê de Combate à Violência contra a Mulher do Grupo Mulheres do Brasil, da empresária Luiza Trajano.

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