Clássico Gre-Nal estava marcado para o estádio Beira-Rio na próxima quarta-feira | Foto: Guilherme Almeida / CP Memória

A crise impôs ao Inter uma série de restrições e colocou os dirigentes diante da dura decisão de ter que demitir 63 dos seus colaboradores – 48 deles desligados somente nesta quarta-feira, 7, – nos últimos dias. Entretanto, o clube pode ter cometido um erro com potencial de causar um dano milionário aos cofres: a dispensa ocorreu a menos de um mês da data base da categoria, o que desrespeita a legislação trabalhista. De acordo com o Sindicado dos Empregados em Clubes Esportivos e em Federações Esportivas do Rio Grande do Sul (SECEFERGS), uma indenização terá que ser paga a cada demitido.

Segundo a legislação, o Inter pode ser obrigado a pagar mais um mês de salário, além de um valor correspondente a mais um salário mensal integral a título de indenização, para cada funcionário demitido. Ou seja, cada um dos 63 demitidos pode conquistar o direito de receber mais dois salários integrais sem precisar trabalhar. Como as demissões não precisam mais ser homologadas pelo sindicato, é provável que a Justiça seja o caminho dos 63 ex-colaboradores para receber esses valores.

“O Inter não precisava fazer isso. Compreendemos a situação, a crise e as consequências da pandemia, mas se tivessem chamado para conversar, nós teríamos feito um acordo para minimizar todo esse processo. Do jeito que foi feito tudo isso, ficou ruim para os trabalhadores e para o clube”, afirmou o presidente do SECEFERGS, Miguel Salaberry Filho. Segundo ele, o Grêmio fez um acordo no ano passado, reduzindo jornada de trabalho e salários, que evitou muitas demissões.

Há outros possíveis deslizes no processo de desligamentos. Há funcionários prestes a conquistar a aposentadoria ou com algum tipo de doença que já procuraram o Sindicado porque, em tese, não poderiam ser demitidos. “Vamos ficar atentos a todo o processo e dar amparo aos trabalhadores. Ficamos sabendo das demissões pela imprensa, mas vamos agir a partir de agora”, disse Salaberry.

O Inter, além de todo esse imbróglio, não concedeu reajuste salarial nos últimos três anos, desrespeitando a data base do dissídio. O assunto está sendo tratado na Justiça do Trabalho, mas pode gerar um enorme passivo para o clube administrar em um futuro próximo.

As demissões aliviam a folha de pagamentos do clube em cerca de R$ 10 milhões até dezembro. Além desta ação, os executivos do Inter renegociam com fornecedores, procrastinam investimentos e buscam alongar o prazo para pagamento de dívidas. Todas essas iniciativas devem redundar em uma economia em cerca de R$ 40 milhões só neste ano.

Fonte: Correio do Povo

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