Foto: Guilherme Neuhaus

A infância e a juventude estão na pauta de prioridades do governo municipal e das forças vivas da sociedade santa-cruzense. Foi isso o que se viu na noite desta quarta-feira, 25, Dia Nacional da Adoção, no auditório central da Unisc, quando prefeitura, Legislativo, Ministério Público, Poder Judiciário e entidades que lutam pela causa – o Grupo de Apoio e Incentivo à Adoção (Gaia) de Santa Cruz do Sul e o Grupo de Apoio à Adoção de Capão da Canoa – sentaram juntos para desmistificar um tema ainda considerado tabu e objeto de muitas distorções. Foi o primeiro evento realizado no município em comemoração à data.

Aspectos relacionados a trâmites burocráticos, adoções irregulares, entrega protegida, testemunhos pessoais de casais que optaram pela adoção, questões de cunho emocional como a ansiedade da espera de quem está na fila para adotar, o perfil desejado pelas famílias, as inseguranças e os desafios do período de adaptação, entre outros assuntos, estiveram em debate. Cada instituição ressaltou seu papel e suas atribuições durante o encontro que teve como mediadora a presidente do Gaia, Caroline Albrecht.

Convidada especial da noite, a presidente do Grupo de Apoio à Adoção de Capão da Canoa, Karina Meneghetti Brendler, falou de sua experiência como mãe adotiva de duas crianças e também da luta para constituição do grupo que, além de prestar apoio, acolhimento e suporte emocional a quem opta pela adoção, também direciona esforços para combater e denunciar irregularidades, a fim de que o processo de adoção ocorra dentro da legalidade e com toda a segurança.

Ao falar de sua história pessoal, Karina insistiu na necessidade de derrubar o estigma em torno da adoção. “Quanto mais a gente falar sobre isso, mais vamos derrubar barreiras e preconceitos”, disse. Segundo ela, é preciso naturalizar a adoção, fazer com que o assunto deixe de ser tratado até mesmo dentro da família como um segredo guardado a sete chaves, que quando descoberto é sempre da pior maneira, tornando-se uma verdadeira catástrofe familiar. “São filhos que vieram pela via da adoção e a forma como chegaram é o que menos importa”.

Para a juíza Lisia Dorneles Dal Osto, titular do Juizado Regional da Infância e Juventude, o tema criança e juventude deve ser prioridade absoluta. “No momento em que Santa Cruz levanta a voz para a infância e juventude, estamos passando para um novo patamar em termos de sociedade”, avaliou. Já a promotora da Justiça Especializada, Daniele de Cássia Coelho, destacou o respeito ao perfil desejado pelas famílias que se candidatam à adoção, a fim de evitar problemas futuros. “A adoção é um encontro e esse encontro tem que ser respeitado. Para quem eu seria um bom pai e uma boa mãe nesse momento da minha vida é a pergunta a ser feita por quem se dispõe a adotar. Não devemos entrar na onda da pressão social e da mídia, é necessário considerar nosso desejo mais profundo”.

O casal de delegados da Polícia Civil, Raquel Schneider e Gustavo Schneider, deram o testemunho como pais adotivos e falaram sobre a angústia da espera, a demora do processo e a realização trazida pela escolha. “Eles não nasceram de nós, mas nasceram para nós”, resumiu Raquel. Para Gustavo a chegada dos filhos trouxe para ele uma grande transformação pessoal e uma alegria imensa. “No final das contas somos pais, eles são nossos filhos e isso nos dá uma conexão com o eterno. É a perspectiva mais humana que se pode ter”.

O evento que marcou o Dia Nacional da Adoção foi aberto com apresentações de música e dança dos alunos da Aesca. Da mesa de abertura, além dos especialistas convidados, participaram a prefeita Helena Hermany, o secretário municipal de Habitação, Desenvolvimento Social e Esporte, Everson Carvalho de Bello, e o líder do governo na Câmara de Vereadores, Henrique Hermany, defensor da causa da adoção e proponente dos debates em trono do Programa Família Acolhedora juto ao Legislativo Municipal, lei já sancionada pelo Executivo no início de abril.

Foto: Guilherme Neuhaus

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