O Programa de Aprendizagem Profissional Rural do Instituto Crescer Legal foi um dos assuntos tratados durante a Reunião Anual da ITGA (International Tobacco Grower’s Association), realizada nesta terça-feira, 24 de novembro, de forma virtual. A gerente do Instituto, Nádia Fengler Solf, apresentou aos participantes, os resultados do inovador método que transforma projetos de vida dos jovens rurais no Sul do Brasil ao mesmo tempo em que combate o trabalho infantil.

“O Instituto é resultado do esforço do setor no combate ao trabalho infantil e tem como o objetivo de oferecer alternativas, especialmente para filhos de produtores de tabaco, bem como ferramentas para implementar a sucessão rural se esse for o desejo do jovem. Nesse sentido, os adolescentes envolvidos, que tem entre 14 e 17 anos, são contratados como jovens aprendizes e, com este formato, recebem uma remuneração mensal sem realizar atividades na indústria e no campo, mas participam de um curso de formação sobre gestão rural e empreendedorismo no contraturno escolar”, relatou Nádia.

Segundo Nádia, o Instituto já envolveu aproximadamente 500 jovens em suas atividades desde sua fundação, em 2015. “O índice de conclusão do curso no último ano foi de 94% e é um indicador que nos anima, uma vez que é muito superior ao índice brasileiro, estimado em 68%, e de alguns países europeus, como a Alemanha, que tem o índice de 75%”, concluiu.

Para Abiel Kalima Banda, presidente da ITGA, os produtores continuam engajados em desenvolver uma produção sustentável. “O compromisso deve ser firme e aceito por todos os envolvidos na cadeia de produção. A solução precisa ser conjunta e viável. Além disso, não podemos adiar mais a discussão sobre diversificação e alternativas”, falou.

Robin Lowe, ministro da Agricultura do Malawi, também falou com preocupação sobre o futuro do setor. “No Malawi a produção de tabaco contribui com até 60% das divisas de todo o país e tratar do futuro do setor é iminente para evitar efeitos econômicos drásticos não apenas no Malawi, mas em todos os países onde a cadeia produtiva está presente”, apontou.

“Onde o tabaco continua sendo plantado, ele certamente é importante para a economia. No Malawi é imprescindível. No Brasil, ele é muito importante para os estados do Sul. Assim, nosso papel é defender os produtores, mas também o mercado uma vez que os produtores precisam vender o seu produto. A regulação é o que tem impactado nosso negócio e precisamos estar atentos. Atualmente, o tabaco está dependente das decisões da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco”, completou Antonio Abrunhosa, diretor executivo da ITGA.

As perspectivas do setor em tempos de pandemia e o panorama do mercado mundial foram temas de apresentações de Ivan Genov, especialista da indústria do tabaco, e Shane Macguill, chefe de pesquisas sobre tabaco da Euromonitor International. Segundo os dados apresentados, o Brasil continua no topo das exportações mundiais de tabaco e com grande distância comparativamente– mais que o dobro do próximos países exportadores.

Com assuntos variados, a Reunião Anual da ITGA reuniu porta-vozes do setor do tabaco de diferentes países. O vice-presidente da Universal Leaf Tabacos, Lea Scott, por exemplo, falou sobre a diversificação da propriedade como uma importante ferramenta para a sustentabilidade. “A produção agrícola é um negócio e como todo negócio precisa gerar lucro. A diversificação da propriedade pode ser muito benéfica, não apenas como uma nova fonte de renda, mas também como um modelo mais seguro diante das intempéries climáticas e dos benefícios ao meio ambiente, como é o caso da proteção do solo e da água. Mas o produtor precisa ter acesso ao mercado e ter um plano de escoamento dessa produção complementar”, comentou Scott.

Gary Foote, da Alliance One, falou sobre agentes de proteção de cultivos e como o uso apropriado pode aumentar a produtividade e evitar prejuízos. Tratou das orientações relacionadas à saúde e segurança do produtor.

Vuk Pribic, diretor da JTI, falou sobre uma série de novas regulações que devem ser implementadas em breve na comunidade europeia. “Em alguns países, já há discussões sobre uma regulação obrigatória, ou seja, qualquer empresa que exporte seu produto precisará provar que implementou ações que promovam o respeito das empresas pelos direitos humanos e do meio ambiente e que possui métricas de avaliação destes resultados. A expectativa é de um primeiro rascunho desta legislação entre em vigor já em 2021, quando todas as empresas que atuam na União Europeia terão que minimamente reportar o que conduzem nesse sentido”, disse.

Ainda segundo ele, a indústria vem trabalhando, há muitos anos, sobre a produção sustentável de forma integrada com os produtores. “São muitos programas e iniciativas nesse sentido e o que temos percebido é que a as regulações em torno do meio ambiente e dos direitos humanos têm crescido em diversos países e afeta não somente o tabaco, mas todas as cadeias produtivas. Também sabemos que os produtores tem aumentado sua conscientização sobre temas como trabalho infantil e respeito ao meio ambiente, mas precisamos estar juntos com os governos e com outros elos da nossa cadeia produtiva”, frisou.

Carlos Palma, gerente da BAT, falou sobre o centenário sistema de produção integrada introduzido pela empresa e com ele pode auxiliar na produção sustentável. “Temos uma longa história de produção integrada e de relacionamento com os produtores de tabaco e isso nos auxilia a levar as melhores práticas agrícolas ao campo”, comentou.

Fotos ICL: Junio Nunes

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