Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os consumidores brasileiros ficaram menos propensos às compras em novembro, às vésperas das promoções da Black Friday e da celebração do Natal, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) encolheu 0,9% em relação a outubro, para o patamar de 73,4 pontos, na zona de insatisfação (abaixo de 100 pontos).

O indicador mostrou queda pela primeira vez desde maio. Descontados os efeitos sazonais que influenciam o apetite pelo consumo, o ICF já vinha de uma estagnação em outubro, após quatro meses seguidos de avanços. No entanto, a intenção de consumo ainda está 5,16% superior ao nível de novembro de 2020, quando foi de 69,8 pontos.

Segundo a CNC, as famílias estão mais cautelosas sobre gastos em decorrência da conjuntura desfavorável do cenário econômico. A entidade divulga o estudo completo a partir das 10h30 desta segunda, 22.

Natal

Este Natal vai ser de reencontros para muitos vacinados contra a Covid-19 e os consumidores estão animados. Mas a situação econômica ainda difícil no País pede estratégia na hora de fazer as compras para não estourar o orçamento. A ceia encareceu, com os itens típicos da época até 27% mais caros do que no ano passado, como é o caso do frango inteiro.

Entre as carnes, o alimento foi o que teve maior alta no preço. O peso da carne bovina chegou a 18,68%. Bacalhau (7,98%), lombo suíno (6,48%) e pernil suíno (3,44%) também tiveram aumentos. Os índices são resultados do acompanhamento de preços feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), por todo o País, nos últimos 12 meses.

“A especificidade do frango é ser criado em granja, muito dependente de ração à base de milho ou de soja. Por problemas climáticos, como a estiagem que dura mais de um ano e a geada no último inverno, as safras de milho e soja foram muito prejudicadas. E a criação dos frangos saiu cara. Já o boi é criado solto e pode pastar, e o suíno pode ter a lavagem variada”, explica Matheus Peçanha, economista do Ibre FGV.

O preço da carne de boi está em retração, após um longo período de altas. O consultor de varejo Marco Quintarelli acrescenta, inclusive, que esse encarecimento influenciou o custo do frango.

“Muita gente migrou para consumir o frango, pois era a segunda proteína mais barata, logo após o ovo. Então, o aumento da demanda, e o fato de o frango ser exportado, ou seja, seu preço é dolarizado, acabam pressionando este alimento também”, diz Quintarelli.

Os ovos tiveram elevação de 20,05% no preço. Já a categoria “pão de outros tipos”, que inclui pães de rabanada, teve reajuste de 11,12%. O pouco trigo produzido no Brasil sofreu os mesmos impactos da ração do frango, enquanto a parcela importada está mais cara em razão do dólar, acima do patamar de R$ 5,50 atualmente. Também encareceram alguns complementos de receitas e bebidas alcoólicas, como o azeite (13,69%) e o vinho (7,77%).

“Geralmente, o azeite e o vinho têm uma parcela importada grande no mercado. E fatores de incerteza da pandemia e fatores políticos levaram os câmbios para as alturas. Assim, o preço interno sobe”, explica Matheus Peçanha.

O aumento calculado pela FGV engloba uma média entre nacionais e importados. No segundo grupo, o impacto pode ser até maior. No Cadeg, em Benfica, na Zona Norte do Rio, vinhos que custavam R$ 29,90 no fim de 2020 estão saindo agora por até R$ 60.

“Os portugueses foram os que mais aumentaram. Até vidro para a embalagem faltou no mercado na pandemia, e tudo encareceu”, justifica Michele Sant’ana, vendedora da Central dos Vinhos, que, apesar dos preços mais caros, vê o movimento no estabelecimento crescer, em comparação com o fim do ano passado.

De acordo com os especialistas, o saldo do varejo deve mesmo ser bem melhor no Natal de 2021.

“Os preços aumentaram muito, é verdade. Até 100%, principalmente dos importados em geral e dos vinhos portugueses. Então, alguns consumidores querem manter os gastos iguais aos do ano passado, e aí substituem produtos. Por exemplo, o vinho que tomaram por R$ 59 está por R$ 80. Então, mudam o vinho. Mas o fluxo de consumidores aumentou comparando agora com essa mesma época no ano passado. Esperamos resultados melhores.”

Fonte: O Sul

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