Foto: Polícia Civil / Divulgação

Uma falsa oficial do Exército Brasileiro foi presa nesta sexta-feira, 20, em Canoas, acusada de aplicar 80 golpes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A estelionatária é de Porto Alegre e usava até uniformes militares simulando ser uma enfermeira da instituição.

Se valendo da credibilidade de uma suposta patente de major, ela ganhava a confiança das vítimas com o objetivo posterior de oferecer vagas e cursos nas Forças Armadas, bem como obter cartões de crédito, pedir dinheiro emprestado e até montar negócios em sociedade. Muitas das vítimas eram idosos, mas há pessoas de várias idades entre os alvos da golpista. A investigação da Polícia Civil ainda está avançando e o prejuízo já é estimado em R$ 200 mil.

A ação ocorreu na casa onde a suspeita residia, no Bairro Niterói, em Canoas. Os agentes cumpriram um mandado de prisão preventiva e outro de busca. Como a apuração da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) segue em andamento, o nome da presa não está sendo divulgado.

O delegado responsável pelo trabalho, Pablo Rocha, diz que foram apreendidos uniformes militares completos que ela vestia para se encontrar com as vítimas, além de insígnias e distintivos correspondentes a um nome fictício usado por ela. Também foram localizados terminais de computadores e máquina para pagamentos com cartões. Segundo ele, a criminosa simulava, em muitas ocasiões, estar dentro de um quartel das Forças Armadas, em meio a trabalhos administrativos.

— O objetivo sempre era tentar dar credibilidade ao personagem criado por ela, mas vale o alerta, sempre tem que checar nomes de estranhos que se aproximam do nada — alerta Rocha.

A mulher agia pelo menos desde 2020. Dos 80 casos registrados, 30 foram no Estado. A polícia conseguiu confirmar prejuízo de R$ 200 mil, considerando 18 destas ocorrências. A maioria das vítimas perdeu pelo menos R$ 1 mil, mas uma das pessoas foi lesada em R$ 60 mil. No entanto, o valor dos golpes aplicados será muito maior até a finalização do inquérito. Rocha diz que o trabalho agora é verificar os outros 62 casos em que a polícia foi procurada. Além disso, mais vítimas podem acionar a investigação.

Como ocorriam os golpes

O diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana, delegado Mario Souza, destaca que a mulher criava uma personagem, se valia da credibilidade de uma oficial enfermeira do Exército e até simulava estar em quartel. Para isso, montava estruturas e usava uniformes, indo de cidade em cidade do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Quando aplicava um golpe em um local, desaparecia, voltava para casa e depois se deslocava para outro município.

Souza ressalta que os golpes consistem em cobrar valores para obter vagas de trabalho e cursos preparatórios em vários setores, inclusive nas Forças Armadas de uma forma geral, bem como usar cartões de crédito das pessoas — principalmente no caso em que oferecia cuidados de enfermagem para idosos — e pedir dinheiro emprestado. Ela chegou a alugar imóveis e não pagar, bem como abriu negócios em sociedade com as pessoas que foram lesadas, por isso uma das vítimas perdeu cerca de R$ 60 mil. As pessoas que tiveram prejuízo são dos mais variados ramos e idades, incluindo civis e militares.

A estelionatária, que vai prestar depoimento nesta sexta-feira e passar por reconhecimento perante vítimas da Região Metropolitana que irão até a Draco de Canoas, tem antecedentes criminais e chegou a ser presa em 2021, mas foi liberada posteriormente pela Justiça.

Fonte: GZH

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