Qualidade das pastagens de Lauri Schwendler está comprometida em função da forte estiagem. Foto – Lauri Schwendler

A forte estiagem que vem perdurando desde a primavera e se intensificou agora no verão, está afetando muito as produções agrícola e agropecuária. Na agropecuária, estão ocorrendo perdas na produção de leite devido à falta de chuva para a formação das pastagens anuais. Muitos dos produtores já estão contabilizando perdas de 15%, outros já passam de 20% na redução diária de produção de leite, com uma redução de dois a três litros por vaca por dia.

Com um plantel de 33 vacas, das quais 28 estão em lactação, o produtor de leite Lauri Schwendler, morador de Linha Arroio Grande, interior de Venâncio, está entre as dezenas de produtores que estão registrando redução na produção diária de leite, ocasionada pela forte estiagem. Segundo ele, as perdas estão relacionadas à baixa qualidade das pastagens que não se desenvolvem, e com isso, o custo de produção está mais alto pois precisa tratar mais silagem e ração às vacas.

O efeito da estiagem, segundo Schwenlder, não irá se sentir agora em um primeiro momento, pois a silagem que está tratando, é do milho da safra passada, que é de alta qualidade, e sim, por causa do milho que está ensilando, pois o mesmo não tem qualidade nenhuma. “O problema vamos sentir a partir do momento em que vamos começar a tratar a silagem do milho que estamos cortando agora, pois o mesmo é baixa qualidade”, salienta, acrescentando que os demais produtores de leite enfrentam o mesmo problema. “Tem lavouras onde o milho simplesmente não tem espigas e do jeito que a estiagem vem aumentando, é o que vamos ter para tratar daqui a uns meses quando a silagem da safra passada acabar.”

O engenheiro agrícola e extensionista rural do escritório municipal da Emater/RS-Ascar Diego Barden dos Santos, observa que no verão, normalmente, os produtores plantam o milheto, aveia de verão, sorgo. Conforme a época de plantio, estes produtores acabaram ficando sem a possibilidade de implantar as pastagens anuais, que foram plantadas, mas tiveram um comprometimento muito grande. “Uma situação bem importante que a gente percebe nos produtores de leite que é a falta de umidade no solo, está gerando lavouras de milho que serão ensiladas de planta inteira, de baixa qualidade e pouca quantidade”, frisa. “A gente tendo pastagem boa, a vaca produz melhor e a hoje poderíamos ter uma produtividade melhor se as pastagens fossem de qualidade”, reforça Schwendler.

Orientações

Para os produtores neste momento, Santos orienta que façam a conta e o cálculo bem certo da quantidade de alimentos disponível na propriedade relacionada à quantidade de animais existentes. “E a nossa sugestão no primeiro momento é fazer o ajuste da capacidade de consumo com a capacidade de fornecimento de alimentos para o plantel leiteiro. Temos dentro desta conta, a informação e o resultado de que temos falta de alimento para os animais, ou produtor passa a comprar os alimentos e no caso na nossa região, ele precisa comprar mais ração, comprar mais silagem, que em muitos lugares já está comprometida e não tem disponibilidade de comprar. A ração é um alimento bastante caro em relação aos alimentos volumosos”, salienta.

A sugestão de Santos é adequar a quantidade de animais, acelerar o descarte, pois neste momento ele pode descartar vacas, novilhas e terneiros que ele pode vender para outros produtores, pois desta maneira, fica bem mais administrável a redução de alimentos. Não adianta faltar um pouco de alimento para todos os animais pois com isso, vamos ter uma redução na eficiência produtiva do plantel leiteiro. Precisamos ter menos animais e fornecer a eles a quantidade necessária de alimentos para eles terem um bom desempenho”.

No ano passado, Schwendler já vendeu algumas vacas em função do alto custo e adianta que este ano, se a situação da forte estiagem  perdurar por mais algum tempo, pois esta agrava a qualidade das pastagens, vai vender mais vacas pois o aumentou o custo de produção e o que não tem nenhuma previsão de aumento do preço que recebe por litro.

Santos alerta que os reflexos futuros de toda esta situação e conforme ele, se os produtores não fizerem este ajuste, adequação na carga animal relacionada à quantidade de alimentos, teremos problemas de produção, problemas de reprodução, animais mal nutridos, além de problemas de sanidade. “Animais mal alimentados têm deficiência imunológica e com isso, estarão mais suscetíveis a doenças. Isto são prejuízos futuros que podem acontecer devido à falta e à quantidade de alimentos”, reforça.

Silagem que Schwendler está fornecendo agora às vacas é da safra passada. Foto – Lauri Schwendler

Milho da atual safra é de baixa ou sem nenhuma qualidade. Foto – Lauri Schwendler

Texto: Edemar Etges/Edemar Etges

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