O Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY) relatou nesta sexta-feira (10) que duas crianças indígenas morreram em uma comunidade na Terra Yanomami por falta de socorro.

As vítimas estavam com malária, segundo presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami. As mortes foram na comunidade do Xaruna, região do Parima. Em maio, o Conselho denunciou a morte de uma criança com desnutrição grave devido à demora na remoção.

O atendimento de saúde ao povo Yanomami é de responsabilidade do Distrito de Saúde Indígena Yanomami (Dsei-Y), subordinado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que responde ao Ministério da Saúde.

A falta de socorro, segundo o Conselho, ocorreu porque não havia gasolina para fazer o transporte fluvial, tampouco combustível para a remoção aérea até a capital Boa Vista. Uma das crianças era uma bebê de 6 meses. A outra não teve a idade informada.

Um ofício relatando a situação e pedindo providências foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF). O órgão disse que tomou conhecimento do ocorrido e irá investigar o caso.

Conselho pede exoneração do coordenador

Após esses dois casos recentes, o Condisi-YY pediu nesta sexta-feira (10) a exoneração do coordenador do Dsei-Y, Rômulo Pinheiro de Freitas. O pedido foi feito via ofício e encaminhado ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e ao secretário da Sesai, Robson Santos.

No documento, o Conselho afirma que “a falta de responsabilidade da coordenação resultou em diversas problemáticas que afetaram diretamente a população Indígena Yanomami”.

Terra Yanomami

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem cerca de 28 mil indígenas que vivem em mais de 370 aldeias. Alvo frequente de garimpeiros, desde o dia 10 de maio, a região enfrenta tensão na comunidade de Palimiú em razão de ataques armados de garimpeiros.

A invasão garimpeira causa a contaminação dos rios e degradação da floresta, o que reflete na saúde dos Yanomami, principalmente crianças, que enfrentam a desnutrição por conta do escasseamento dos alimentos.

Foto: Divulgação

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