Foto: Martin Berreti / AFP

Mais de 120 minutos foram necessários para decidir quem avançaria até a final do futebol masculino dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, na manhã desta terça-feira, 03, no estádio Ibarashi Kashima, no Japão, no confronto entre Brasil e México, os dois últimos campeões olímpicos. Em confronto equilibrado do começo ao fim e de placar fechado no tempo normal e na prorrogação, a seleção brasileira venceu nas penalidades, por 4 a 1, com destaque para a frieza dos jovens brasileiros, comandados pelo experiente Daniel Alves, na hora de converter suas cobranças.

Agora, a seleção, que já garantiu mais uma medalha para o país, espera o vencedor do duelo entre Espanha e Japão para conhecer o adversário na final que será disputada no próximo sábado. Essa é a terceira final consecutiva dos Brasil em Olímpiadas.

Com a bola rolando, um confronto digno de duas equipes que já tiveram a medalha de ouro no peito. Mais posse para o Brasil, maior aplicação defensiva do México. Marcado por duas chances para cada lado, o tempo regulamentar e a prorrogação foram também de muitas faltas e um duelo picotado e tenso. Nos pênaltis, o goleiro Santos defendeu uma, o zagueiro Vazques desperdiçou outra, e os cobradores canarinhos tiveram 100% de aproveitamento.

Brasil tem a bola, mas sofre na defesa

A reedição da final dos Jogos Olímpicos de 2012 teve uma primeira etapa de posse de bola brasileira, mas mais chances mexicanas. Com o atacante Paulinho na vaga do lesionado Matheus Cunha, o Brasil executou boas trocas de passes no meio de campo, no entanto, com dificuldade para infiltrar na defesa adversária.

Na melhor chegada dos comandados de André Jardine, o goleiro Guillermo Ochoa, conhecido algoz brasileiro, apareceu. Aos 13 minutos, Arana recebeu livre na esquerda, avançou dentro da área e finalizou forte em cima do arqueiro mexicano. Aos 22, foi a vez de Daniel Alves colocar Ochoa para trabalhar em cobrança de falta potente.

Com o controle da partida, o Brasil teve um pênalti a seu favor assinalado aos 27 minutos. No entanto, com auxílio do VAR, o árbitro voltou atrás na sua marcação. De fato, o volante Douglas Luiz havia se jogado na área em lance com o zagueiro Montes.

A partir deste lance, os mexicanos se soltaram mais no campo e acabaram tendo as melhores chances do jogo. Aos 41 minutos, brilhou a estrela do experiente goleiro Santos. Romo avançou livre pelo meio e finalizou já dentro da área para grande defesa de mão direita. Pouco depois, o ponta Vega encontrou Antuna também sem marcação na defesa brasileira. O atacante dominou, fuzilou, e novamente obrigou Santos a salvar o Brasil e garantir a igualdade até a ida para os vestiários.

Richarlison encontra a trave

Nem Brasil, nem México conseguiram produzir ofensivamente até os 20 minutos após a volta do intervalo. Com muito perde e ganha no meio de campo, o jogo ficou “sem dono” durante a primeira metade do segundo tempo e também teve poucas finalizações.

Em relação ao começo do jogo, a seleção brasileira perdeu ritmo e o controle da partida. Especialmente, na posse de bola. Os adversários começaram a gostar da partida. Tentando retomar as rédeas do duelo, Jardine colocou Reinier e Martinelli nas vagas de Claudinho e Paulinho aos 25 minutos.

As mudanças não surtiram efeito imediato, mas deixaram a seleção brasileira com maior ímpeto ofensivo. Conforme os espaços surgiam lado a lado, as equipes acabavam ficando mais expostas defensivamente. Aos 36 minutos, a grande chance brasileira. Daniel Alves cruzou na medida, Richarlison ganhou de cabeça e mandou na trave. A bola percorreu a linha da goleira e voltou para o atacante, que, sem ângulo, tentou encontrar algum companheiro no meio da área sem sucesso.

Antes do fim do tempo regular, o Brasil ainda perdeu uma nova oportunidade. Reinier insistiu com a marcação, levou a melhor dentro da área e cruzou para o meio. O zagueiro Montes se antecipou e conseguiu cortar. 0 a 0 e mais 30 minutos para definir quem se classificaria.

Pouco futebol, muita luta

A primeira providência do técnico Jardine para o tempo extra foi colocar Malcolm na vaga de Antony. Com o tanque cheio, o atacante tentou logo em seu primeiro lance. Ele recebeu na ponta direita, cruzou para Richarlison, mas Montes cortou novamente. Os 15 minutos iniciais de prorrogação foram nada emocionantes com dois times preservando-se defensivamente e com pouca inspiração ofensiva.

A segunda etapa não foi muito diferente. Picotado, o jogo não andou e nenhum dos times finalizou ou levou perigo aos gols adversários. Com muitas faltas, a bola praticamente não rolou nos 15 minutos que restavam e a decisão se encaminhou as penalidades.

Frieza pênaltis

Mais experiente do grupo, Daniel Alves abriu a série para o Brasil. Em cobrança forte, Ochoa chegou a tocar na bola, mas a bola morreu na rede. Na primeira batida mexinaca, Santos defendeu a finalização de Aguirre. Martinelli converteu e Vazquez errou novamente para os mexicanos. Após ambas seleções marcarem, coube ao jovem Reinier a cobrança decisiva. Um chute forte, sem chances para o Ochoa, para colocar o Brasil em mais uma decisão olímpica.

Jogos Olímpicos de Tóquio, semifinal do futebol masculino

México 

Ochoa; Loroña, César Montes, Johan Vásquez e Jesús Angulo (Adrian Mora, aos 7/1ºT da prorrogação); Esquivel (Carlos Rodríguez, no intervalo), Luis Romo e Córdova (Ricardo Angulo, aos 32/2ºT); Antuna (Diego Lainez, aos 16/2ºT), Alexis Vega (Alvarado, aos 46/2ºT) e Henry Martin (Eduardo Aguirre, aos 7/1ºT da prorrogação). Técnico: Jaime Lozano.

Brasil 

Santos; Daniel Alves, Nino, Diego Carlos e Guilherme Arana; Douglas Luiz (Matheus Henrique, aos 9/2ºT da prorrogação), Bruno Guimarães e Claudinho (Reinier, aos 27/2ºT); Antony (Malcom, entre o tempo normal e a prorrogação), Paulinho (Gabriel Martinelli, aos 21/2ºT) e Richarlison. Técnico: André Jardine.

Cartões amarelos: César Montes, Diego Lainez, Henry Martín, Loroña, Luis Romo (México), Diego Carlos, Antony, Bruno Guimarães, Reinier, Douglas Luiz (Brasil).
Árbitro: Georgi Kabakov (Bulgária)
Assistentes: Martin Margaritov e Diyan Valkov (ambos da Bulgária)
VAR: Marco Guida (Itália).
Local: Estádio Kashima, em Kashima (Japão)
Data e hora: 3 de agosto de 2021 (terça-feira), às 5h (de Brasília).

Fonte: Correio do Povo

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